Peter saiu por volta das sete da noite. O dia tinha sido razoavel, mas cansativo. Tony tinha ficado só até as quatro. Fazia ja uns meses que aquele maldito filho da puta nao parava de empilhar folhas na sua mesa. Aquele dia tinha deixado o escritorio no horario normal. foda-se relatorios e demais burocracias pelas quais lutamos e morremos todos os dias. Deus salve a America.
Passou pelo Barney´s e pediu um whisky com soda. Fazia tempo que o trabalho nao o deixava passar por ali como antigamente, mas nada tinha mudado muito. Os mesmos fregueses de sempre, os mesmos perdedores, incluindo-se ele, talvez o principal. De vez em quando aparecia uma mulher por ali, algo que se diferenciasse, algo que pudesse se chamar de mulher e que apestava a esperma num raio de quatro quilometros. Era esse o tipo que aparecia. E sempre tocava a um dos perdedores subir ao banheiro do barney´s, entre vomitos e restos de merda, e deixar ali, em cinco minutos da pior mamada de todos os tempos, um pouco de porra e alguns dolares.
Pagou o whisky e deixou o troco. O dinheiro estava acabando e a merda de salario que ganhava nao dava para satisfazer os caprichos de Candy, que habia casado com o chefe da seçao, e que agora era um subordinado do sobrinho de um tal senador que nunca tinha-se ouvido falar. Tinha que fazer algo. Ha tempos que tentava cancelar os cartoes de credito da mulher, mas ela ameaçava em ir embora e levar Julia com ela. Como se tivesse algum tipo de amor por aquela pequena. Decidiram adota-la porque Candy nao queria filhos. Candy nao queria desfigurar seu corpo. Aquele ultimo ano passou rapido e ele parecia ter envelhecido dez. Se notava seu cansaço. A rotina do trabalho, a falta de carinho de Candy. Trepavam uma vez por semana, nada mais. Ele tinha engordado, deixado a academia. O unico que mantinha sua familia unida era Julia. No mes passado começou a ir a escola. Ele e a mulher abriram uma tregua em sua guerra particular por aqueles meses, para disfrutar daquele momento, ele mais que ela, mas por algum tempo, tudo pareceu voltar aos tempos em que era chefe. Até trepavam mais, nao o suficiente, mas um pouco mais. Ele necessitava desfazer-se dos problemas do trabalho, e muitas vezes tinha que ir ao banheiro masturbar-se por que Candy nao tava a fim, mas naqueles meses estava melhor a coisa. Até o dia em que passavam por uma loja e ela viu uma blusa de seda, uma maldita blusa de seda que valia metade do seu salario. Nao invente de entrar nessa merda de loja, advertiu ele. Ela entrou, e nao só entrou, a cadela, como também provou a blusa. Ele entao viu o tamanho da sua impotencia como marido, e, nao tendo mais remedio, humilhado, fez o pagamento no caixa. Nao sabia porque havia feito, mas fez...
Chegou em casa pelas oito. Ainda faltavam anos de hipoteca. Havia caído no conto, logo ele. Agora comia a merda que o banco lhe colocava no prato, todo mes. Foi a cozinha, abriu a geladeira, cortou um pedaço de queijo, colocou dentro duma fatia de pao, e se deu conta que era a primeira refeiçao que fazia no dia. Com razao aquela maldita gastrite lhe matava todos os dias um pouco mais. E as declaraçoes de renda. E os filmes dublados.
Ouviu um barulho estranho no quarto. A janela que ficava no andar de cima estava aberta. Caralho. Na vizinhança a sua casa era a unica que nao havia sido forçada. Pegou a faca e subiu as escadas. Foi ao quarto de Julia. Sem fazer barulho, viu que a pequena estava vendo televisao e nao notou sua presença. Se a tocassem, ó Deus bendito, eu mato, juro que mato...Foi ao quarto, a porta estava entreaberta...
Com a faca ainda ressentindo a queijo, puxou a cabeça de Tony para trás e lhe rasgou o pescoço de orelha a orelha. Nao deu tempo do infeliz soltar nenhum gemido. O sangue jorrava sobre Candy, que de olhos fechados disfrutava do prazer que o corpo ja sem vida de Tony lhe proporcionava. Quando abriu os olhos, Peter tapou-lhe la boca e com um forte golpe lhe cravou a faca bem no coraçao. Esperou alguns segundos. Nao tinha certeza se aquela puta tinha alguma coisa batendo naquele peito.
Jogou tony para o lado, foi até o armario, buscou a blusa de seda e vestiu o corpo sem vida de candy. E ali mesmo, num acesso de loucura e tesao, a violou. Tendo o melhor sexo que ja tiveram juntos. Gozou sobre seu peito, e ficou por um tempo vendo aquela mistura de porra e sangue. Ela estava linda. Especialmente linda essa noite.
Foi ao banheiro, tomou uma ducha, foi ao quarto da pequena e se sentou ao lado dela. Ficaram por um tempo em silencio vendo desenho na tv. Um gato perseguia a um rato. Abraçou ela contra seu ombro, lhe beijou a cabeça, e foi a cozinha preparar um sanduiche de peito de frango com queijo para Julia. Seu preferido. Deveria estar com fome.
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1 comentario:
sexo, suspense, assassinato, vida de merda. Essas poderiam ser as tags desses 3 contos.
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